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Just in time


 
Vários aspectos citados da filosofia JIT requerem grandes doses de participação e envolvimento da mão-de-obra, além de ênfase no trabalho em equipe. O processo de aprimoramento continuo não pode ser realizado a menos que a mão-de-obra esteja atuante, tanto no sentido de identificar os problemas e torná-los visíveis, como no sentido de colocar esforços para resolvê-los. A própria responsabilidade pela qualidade que é retirada dos especialistas e colocada sobre o pessoal de produção só pode ser imaginada com o envolvimento dos trabalhadores (LIKER e MEIER, 2007).

É um sistema de administração dos produtos, pois somente são fabricados ou entregues a tempo de serem vendidos ou montados. O conceito está relacionado ao de produção por demanda, onde primeiramente vende-se o produto para depois comprar a matéria- prima e posteriormente fabricá-lo ou montá-lo. Produção que determina que nada devamos ser produzido, transportado ou comprado antes da hora exata. Pode ser aplicado em qualquer organização, para reduzir estoques e os custos decorrentes características básicas do estoque a característica do estoque é definida como acumulação armazenada de recursos materiais em sistemas de transformação ou de produtos acabados.

Custos associados aos estoques importantes função do controle de estoque e dos materiais está relacionada com a administração de níveis de estoques, e lógica e racionalidade podem ser aplicadas com sucesso para a resolução dos problemas de estoque. O Just in time é uma técnica usada pelos praticantes da logística, que exige um alto nível de precisão. Esse é um dos motivos que assustam administradores, pois ter que mudar toda uma cadeia de suprimentos é uma tarefa árdua e longa, mas o JIT tem a capacidade de trazer bons resultados em redução de custos devemos utilizar os métodos analíticos na introdução de custos importantes na formação dos estoques, pois são conhecidas várias espécies de custos que se aplicam às situações de estoque toda vez que uma requisição ou um pedido é emitido incorrem custos fixos e variáveis referentes a esse processo. Os custos fixos são associados aos salários do pessoal envolvido na emissão dos pedidos e não são afetados pela política.

Estoques geram despesas desnecessárias, por isso é indispensável um controle de estoque planejado e detalhado. Cada ação de uma empresa deve ser altamente estudada. Os estoques geralmente são esquecidos, pois não geram lucros diretos, mas a consequência que gera um estoque sem planejamento e controle é desastrosa para a empresa. Segundo Ballou (2006, p.397) A estocagem e o manuseio de materiais são essas atividades suplementares, que assumem consideráveis importâncias pelo fato de terem influencia sobre o tempo necessário para o processamento de pedidos. O controle de estoque é de suma importância para a empresa que preza pela qualidade de serviço oferecido e também por que o estoque, sendo de matéria prima ou produto acabado, está voltado diretamente a custos de manutenção de ambos.

Papel dos Estoques - como vimos em JIT os estoques são considerados nocivos e devem ser reduzidos, sob pena de não encontrarmos e resolvermos os reais problemas. Mesmo que estes sejam considerados protetores do sistema produtivo ou como forma de se evitar paradas indesejáveis. Pozo (2004, p. 135) corrobora isso quando diz que os “estoques devem ser eliminados, pois são o grande obstáculo ao fluxo e a perfeição”, compreendendo perfeição dentro uma forma realista. De outra forma quando buscamos quebra zero, ou zero defeito, estamos de alguma forma buscando a perfeição.

Lotes Menores - quando falamos em lotes menores estamos nos referindo aos lotes de fabricação e compra. Além de ser um dos pilares do JIT, é também uma questão lógica. Observemos, ao se comprar menos, se gasta menos e temos menos recursos investidos em estoque. Quando fabricamos lotes menores, tenho condições de atender o mercado com maior rapidez, ganhar mais clientes, faturar mais rápido e aumentar o fluxo de caixa. Pozo (2004, p. 132) nos fala que a filosofia JIT se bem entendida e aplicada pode reduzir o tempo de resposta ao mercado em mais de 90%. Isso traz ganhos no lançamento de novos produtos ou simplesmente conseguindo acompanhar e atender as mudanças do mercado, ou seja, o tempo de colocação do produto no mercado é menor, em consequência temos menores estoques e melhor utilização dos equipamentos.

Eliminação dos desperdícios e Melhoria Contínua - ainda de acordo com Gianesi e Corrêa (1993, p. 67) eliminar desperdícios significa analisar a atividade da fabrica de forma holística, eliminando as que não agregam valor para a produção e consequentemente para os clientes. Gianesi e Corrêa (1993, p. 68) apud Shigeo Shingo distribuem e classificam o desperdício em sete categorias a seguir:

 • Desperdício de superprodução;

 • Desperdício de espera, material esperando processamento;

 • Desperdício de transporte, excesso de movimentação;

 • Desperdício de processamento, ou desperdícios no próprio processo;

 • Desperdícios nas operações;

 • Desperdícios de produzir produtos defeituosos;

 • Desperdícios de estoques, altos.

Erros - no JIT os erros devem ser eliminados, porém, estes servem como fonte de informação e aprendizado contínuo (Kaizem). Ao contrário dos sistemas tradicionais que simplesmente aceitam os erros como inevitáveis, ou até mesmo parte do processo.

Utilização da Capacidade - JIT prega que os equipamentos devem ser utilizados de acordo com as necessidades, com fluxo continuo e tranquilo entre as fases do processo. Quem determina a produção (puxa) é demanda. Em OPT ou teoria das restrições, seria o mesmo que admitir que o gargalo esteja no mercado.

Papel dos Colaboradores - como os operários são os maiores conhecedores do processo, passam a ter mais responsabilidades pelo que fazem. Assumem tarefas antes de responsabilidade dos departamentos de apoio. Como exemplo, podemos citar a qualidade, agora responsabilidade dos funcionários, “fazer certo da primeira vez”. Estes ainda passam a ser responsáveis por cuidar dos seus equipamentos, lubrificando, limpando-os etc. Os supervisores e gerentes passam a ter o papel de apoiadores e facilitadores dos mesmos, contudo faz-se necessário uma maior qualificação da “mão de obra”. Organização e Limpeza da Fábrica - ao contrário dos sistemas tradicionais onde a sujeira é até aceitável, “o importante é produzir”, o JIT prega que limpeza e organização são indispensáveis ao sucesso de aspectos como confiabilidade das máquinas e visualização de problemas, dentre outros fatores.

Simplificar e aperfeiçoar: Antes de sequer começar a pensar em programar um tipo de gestão Just-in-time na empresa, é necessário repensar toda a produção de modo a responder eficazmente aos pedidos dos clientes. A nova arrumação e layout da fábrica deverão ser flexíveis, responder a altos padrões de qualidade, evitar tempos de espera e responder rapidamente a alterações na produção.  

Formar os recursos humanos: Este ponto é frequentemente esquecido, mas é essencial para que a implementação do Just-in-time na empresa se faça com eficácia. A ideia é a de ensinar o pessoal a funcionar segundo novos moldes, com novos objetivos e segundo novas regras. A motivação só se consegue se for efetuado um trabalho conjunto com todos.  

Colaborar com os fornecedores: Os fornecedores são sempre uma peça chave no desempenho da empresa. No caso do Just-in-time, a sua atuação é crítica. É preciso estabelecer novas relações com eles para que possam colocar as quantidades necessárias de matérias-primas ou produtos semiacabados, com elevada qualidade, na altura certa. A relação com os fornecedores passará a assentar mais numa parceria que numa simples compra e venda. Só com o apoio destes é que se consegue uma passagem para o Just-in-time eficaz. É vantajoso para a empresa explicar o seu processo e os seus objetivos aos fornecedores para que estes possam colaborar com ela. É também mais fácil tratar com um número menos extenso de fornecedores.  

Colaborar com os clientes: Também é útil que os clientes possam colaborar com a empresa que funciona no regime de Just-in-time. A empresa pode pedir-lhes, por exemplo, ajuda de forma a estabilizar a carga da produção, combinando com eles um programa de entregas. Além disso, é sempre vantajoso para a empresa fazer passar a mensagem aos clientes do aumento de qualidade conseguido.

Conceber a produção em novos moldes: Funcionar em Just-in-time represente para a empresa uma alteração profunda das suas práticas. Toda a organização da empresa deve assim ser modificada para responder mais eficazmente. A disposição funcional das atividades deve ser substituída por linhas de produtos, todo o trabalho de gestão de estoques de produtos finais ou intermédios deixa de fazer sentido, podendo a empresa colocar estes funcionários a fazer outras tarefas, etc.

Refiram-se três aspectos essenciais:

• A planificação deixa de ser feita em função de projeções de vendas, sempre falíveis, e passa a ser efetuada com base em encomendas firmes.

• Já só é preciso calcular as necessidades em curto prazo, sendo inútil avaliar com precisão as necessidades em longo prazo.

• Passam a serem desnecessárias várias funções: controle de estoques, estoques intermédios, as ordens de fabricação, controle da produção, cálculo dos custos.

Vantagens e desvantagens do Just-in-time: - A principal vantagem do Just-in-time deriva diretamente da sua definição: - reduzir os custos, essencialmente por três vias:

• Redução de estoques: já não é necessário disponibilizar um espaço e recursos humanos para tratar dos aprovisionamentos. • Redução de tempo: o mesmo nível de produção pode ser atingido em menos tempo, o que permite evitar horas extraordinárias e/ou aumentar a produção em face de um aumento pontual da procura. • Aumento da qualidade: Sendo o output final de maior qualidade, evitam-se custos com peças ou produtos defeituosos além de ser um excelente argumento de venda, reforçando a presença no mercado. A maior desvantagem deste sistema é a que decorre de incertezas na envolvente da empresa. Se algo não funcionar bem, e o exemplo de uma greve nos transportes é a mais evidente, tudo pode ficar parado.

Just-in-time, Kanban e Automação
Conforme visto acima, o Kankan seria um sistema de informações para viabilizar o Just in time, que por sua vez é um dos componentes de um sistema de produção mais amplo.Todavia, deve-se ressaltar que Kanban está praticamente consagrado com o nome que se dá ao sistema de produção como um todo, apesar de, originalmente, isso não estar correto.Outro aspecto a ser ressaltado diz respeito às particularidades que podem apresentar as diversas empresas em função dos meios empregados. Assim, uma indústria de porte, ao introduzir sistemas automatizados de controle e emissão de ordem de produção, pode conseguir o Just in time sem a utilização tradicional do sistema Kanban de informações.
Numa empresa automobilística do ABC paulista, as ordens de produção são emitidas via computador e chegam a determinados pontos de trabalho através de impressoras na produção. Quando uma ordem é emitida- produção do carro A, com relógio, rádio FM, rodas especiais, bancos marrons -, uma impressora no início da linha de montagem de painéis recebe um papeleta que, destacado, é anexado ao painel e todos vão montando segundo as instruções. O mesmo acontece na montagem dos pneus, bancos, motor, transmissão etc.
Ao chegar à linha final de montagem, o carro terá afixado à sua carroçaria o mesmo papeleta e, sincronizada mente, chegarão às rodas, o painel e os bancos requisitados, tudo Just in time.
Ou seja, uma produção no9 momento certo (Just in time), com todas as características descritas (flexibilidade, ausência de estoques, redução do nível do refugo etc.), pode ser obtida com ou sem auxílio de sistemas de automação microeletrônica. O caso que será analisado a seguir é ilustrativo de uma produção Just in time sem nenhum equipamento da “nova automação”.
Pretende-se ressaltar, contudo, que a reorganização produtiva para alcançar tal tipo de produção é meio caminho andado (ou até mais) para a automação das operações fabris. Se olhar os sistemas automáticos hoje existentes, com uma linha de prensas alimentadas por ventosas, transportadores de linha de produção, centros de usinagem, produção em fluxo, percebe-se que eles trabalham internamente sem estoque intermediário. As próprias linhas de montagem também seguem este princípio, pois os produtos são montados um a um, sem estoques entre as diversas operações.
Um dos grandes trunfos do sistema Just in time/Kanban é a produção sem estoque em setores outros que não as linhas de montagem, e para isso conta com o apoio decisivo da tecnologia de grupos (linhas de fabricação). Toda a reorganização administrativo-produtiva que ocorre para a transformação de um arranjo físico funcional (seções de tornos, seções de fresas etc.) em linhas de fabricação é um pré-requisito indispensável à automação. A classificação das famílias de peças e a definição da constituição das diversas ilhas não exigem robôs, máquinas de comando numérico ou sistemas integrados. Porém, feita a reorganização, basta trocar as máquinas, pois o alicerce já está preparado para aguentar o prédio.

Referências Bibliográficas

http://www.infoquality.kit.net/jit.htm

http://www.sdr.com.br/professores/sdr/SDRJust_in_time.htm

http://www.eusounota1.dominiotemporario.com/zasnova/DownloadArtigo. ashx?codigo=231

http://www.techoje.com.br/site/techoje/categoria/detalhe_artigo/509

http://www.fatesc.edu.br/wp-content/blogs.dir/3/files/pdf/tccs/avaliacao_e_proposta_de_melhorias_no_estoque.pdf

http://pt.wikipedia.org/wiki/Just_in_time

http://www.trabalhosfeitos.com/ensaios/Manuten%C3%A7%C3%A3o-De-Estoque/25598.html

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